terça-feira, 28 de setembro de 2010

Na escuridão...

A vida tá um pouquinho triste...


POEMA DA ESCURIDÃO


Encontrei ontem a noite um palco vazio
Onde, entre poeiras, bailava minha capital idéia
E eu, silente envolto de constatações enfadonhas
Contemplei-a a fio, divagando as horas...

Escuridão... Fim... Desceu a cortina...
Torpeza de sentimentos a se debater
Lágrimas... Desespero... Não vieram
E eu sozinho e ainda mais sujo
Fugi e a deixei ali perecer...

Kerlley Diane Santos

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Partida...

Esse é um poema antigo, mas gosto dele...


Sorria

Quando em despertas cores, o tempo em fagulhas chama
E o sol de outras pedras, terras, sons e campos clama
Não te amedronte a hora, não te cubra a incerteza... Partes...

Se para além do horizonte, entre cristalinas gotas, o rio te pede
E serenamente as marolas encantadas te puxam pela mão
Receosa... Não estanques no cais... Vá... Pega o barco... Rema..

Se a claridade da aurora, com seus fios rosados, convida
E os fachos de luz na rua desenham e apontam uma estrada
Mesmo que o coração aperte, não te prenda a porta... Vai

Não te resigne a contemplar os horizontes ao longe
Brinca... Escava-os... Pinte-os com sonhos, decore-os com alegria
Deixa que tua alma brilhe entre os silêncios e risos dourados
Com que o universo menino nos presenteia...

Pegue o veleiro... Hasteia as velas... Arruma a bagagem...
Aproveita enquanto o vento da sorte e da felicidade bate
Levando-te para os mares onde o sucesso e o amor reinam
Nós ficaremos no porto... Corações murmurantes e saudosos...

Mas não chores... Um pouco de nós também parte contigo
E um pouco de ti fica conosco... Uma lembrança suave de tua poesia
Chegada a hora respire profundamente... Sorria...
Não temas em ir... Deixa que o som dessa nova luz ecoe em tua vida...

Kerlley Diane Santos

domingo, 26 de setembro de 2010

Céu Estrelado...


LEMBRANÇAS
                                         
De minhas janelas internas colho em silêncio
Fagulhas celestes de um tempo que já se foi
E eu, prisioneiro de mim, retirante de tudo
Observo... Mudo... Estrelas e Contornos...       
     
Lá fora o céu azul deságua seriamente
Envolto em formas e tons suaves de brisa
Sentindo, sereno, minha alma e o vento...

Já é passado... Sim... Muito já passou
Não resta mais nada das súplicas amargas,     
Das poesias feitas em horas vagas,
Da nebulosa inchada que por alguns instantes... Me olhou...


E eu, ciente de tudo, sozinho em muito
Contemplo já com outros olhos... A torrente
De invisíveis águas que por mim passou...

II

Neste ponto fundo onde meus horizontes se desenham
Brinco de sol, entre infinitas pedras de terras distantes
E então... Vem a noite com as suas dores e cores
E eu nesta varanda fico... Abraço com olhos... Fito com sonhos
As pontas brilhantes que loucamente se desprendem do céu enluarado

III

O quanto cresci já não importa... Cresci... E isso é tudo
Minha poeira esquisita, meu tempo atrasado... Perderam-se
E fiquei eu... Sozinho... Com os pés descalço nessa estrada...

Eu que tantas vezes fui indiferente com as coisas que amava
Que fingir tantas vezes que não ligava... Perdido em mim mesmo...
Com os olhos fixos no vão seguro de minhas palavras...

Cada vez que um dia morre no horizonte
É menos um dia meu e mais um dia para o mundo
É menos um tempo meu e mais um ponto para o tudo

IV


Dentro de mim se contorcem tortuosas ondas
Tento por hora esquecer o que ainda não vi
E eu ébrio estrangeiro perfumado de sol... Caminho

Sentido o pesar desses meus passos noturnos de solidão
Andando entre as cores perfumadas e os tatos açucarados    
Que se desprendem das estrelas que inutilmente desenhei
Em meu céu escuro... Despedaçado e vazio....

V

Nesta noite que aos poucos acaba
Sou apenas eu, as estrelas e a estrada
Sou apenas eu e está insônia que me apaga
Sou apenas e eu e um pouco do nada

Sim quero viver agora.... Pois o tempo não atrasa
Com pressa ou calma... Quero viver a hora...

O dia nasce e, mais uma vez, o sol raia
Para um eu silente, banhado em alvorada...


Kerlley Diane Santos 


    

Bem-vindo ao Miscelânea!


A idéia de se tratar sobre temas como a Literatura, Cinema e Música é sempre muito empolgante. Esse espaço é dedicado a discussões deste tipo e eu, certamente, estou muito empolgada com a idéia. É um lugar também de algumas produções minhas e de outros possíveis colaboradores. Por enquanto, ainda não tenho nenhum ... Começarei, então, com uma coisa minha. Bem simples....

Viver importa.