quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Se Cantarmos Juntos Ninguém Poderá Nos Calar...


LEMONSTRO

Um nome escuso...
Um beco sujo...
Um silente a mais...

Deitado no chão de minhas quimeras
Contemplo mudo o céu que se desfaz
E não me pergunto? Não me irrito?

Este mundo, onde complexidades arquitetadas bailam,
Forçando-nos as veias e apagando nossos sóis,

É nossa forca amarga... Nosso palco vazio...
E seguimos nessa convencionada estrada
Cientes de tudo... Preocupados com nada...

Entre busílis políticos e amarras da fome
Onde outros homens roubam nossos sonhos
E forjam-nos verdades... Eu grito... Protesto:
“Calado não mais ficarei”

Recuso-me a aplaudir essas sarjetas
Em que homens promíscuos,
banham-se em ignorância e perfumam-se com lodo

Recuso-me a aceitar esse Direito que não anda...
Que quer viver fora do mundo...
Que brinca de amarelinha em cima de uns poucos...

Acredite,
Como está não poderá ficar
Amanhã... Não... Por que esperar?
Que brote do hoje... Que comece agora...
Se cantarmos juntos ninguém poderá nos calar.

Kerlley Diane Santos

Meu Coração é Interminável...

Pablo Neruda. Meu poeta favorito. Contigo aprendi... Meu coração é interminável...


Peço Silêncio

Agora me deixem tranqüilo.
Agora se acostumem sem mim.

Eu vou cerrar os meus olhos.
Somente quero cinco coisas,
cinco raízes preferidas.
Uma é o amor sem fim.

A segunda é ver o outono.
Não posso ser sem que as folhas
voem e voltem à terra.

A terceira é o grave inverno,
a chuva que amei, a carícia
do fogo no frio silvestre.
Em quarto lugar o verão
redondo como uma melancia.

A quinta coisa são os teus olhos,
Matilde minha, bem-amada,
não quero dormir sem teus olhos,
não quero ser sem que me olhes
eu troco a primavera
para que me sigas olhando.
Amigos, isso é quanto quero.
É quase nada e quase tudo.

Agora, se querem, podem ir.
Vivi tanto que um dia
terão de por força me esquecer,
apagando-me do quadro-negro
meu coração foi interminável.

Porém, porque peço silêncio
não creiam que vou morrer
passa comigo o contrário
sucede que vou viver.

Sucede que sou e que sigo.

Não será, pois lá bem dentro
de mim crescerão cereais,
primeiro os grãos que rompem
a terra para ver a luz,
porém a mãe terra é escura
e dentro de mim sou escuro
sou como um poço em cujas águas
a noite deixa suas estrelas
e segue sozinha pelo campo.

Sucede que tanto vivi
que quero viver outro tanto.
Nunca me senti tão sonoro.
nunca tive tantos beijos.
Agora, como sempre, é cedo.
Voa a luz com suas abelhas.
Me deixem só com o dia
Peço licença para nascer.


Pablo Neruda

Este surdo poema...

POEMA OBSCENO
 
Façam a festa
          cantem e dancem
que eu faço o poema duro
                                  o poema-murro
                                  sujo
                                  como a miséria brasileira 


       Não se detenham:
       façam a festa
                             Bethânia Martinho
                             Clementina
       Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
       gente de Vila Isabel e Madureira
                                                           todos
                                                           façam
                     a nossa festa
enquanto eu soco este pilão
                            este surdo
                                  poema
que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)
Não se prestará a análises estruturalistas
Não entrará nas antologias oficiais
                      Obsceno
como o salário de um trabalhador aposentado
                      o poema
terá o destino dos que habitam o lado escuro do país
                      - e espreitam.
 
Ferreira Gullar

Envio

Não me lamento, porque canto,
Faço do canto manifesto.
Sequei as águas do meu pranto
Nos bronzes fortes do protesto.

Acuso a puta sociedade,
Com seus patrões, seus preconceitos.
O teto, o pão, a liberdade
Não são favores, são direitos.

(Noel Delamare - Da Cama ao Comício, poemas bissextos)


Noel Delamare é o pseudonômio do grande Roberto Lyra Filho. Certo dia, em minhas buscas encontrei um trocadilho que relacionava O Direito Achado na Rua a expressões como miséria legal e Direito Jogado no Lixo. Este poema seria uma boa resposta para alguns dos pontos apresentados naquele post.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Albert Camus


Fotografia de Cecil Beaton (1946)
                                   
                                               
         "Sou antes de tudo um solidário do homem comum." (Albert Camus)


          Quando aos 46 anos de idade Albert Camus, nobel de literatura, morreu o mundo perdeu uma das consciências mais honestas e obcecadas pela justiça da modernidade. Escritor, dramaturgo, jornalista e militante, Albert Camus nasceu no dia 07 de novembro de 1913, em Mondovi, na Argélia e morreu em 1960, em um acidente de automóvel ocorrido na estrada que liga Sens a Paris. 
          Albert Camus é um dos meus autores prediletos e durante este ano pretendo fazer algumas postagens sobre a obra dele.